Pra você que não se cansa de iludir.

by - 21:53:00

Eu vi você em frente a um bar sorrindo com outra. Aparentemente, vocês estavam felizes. Aparentemente, as coisas estavam muito bem. Ela te olhava como se pedisse (como eu te pedi um dia) pra nunca mais ir embora. Só faziam algumas semanas quando você se calou e me deixou sem respostas. Tua partida ainda estava recente, mas você já tinha decidido de que não perderia tempo. Você a tocava com afeto, entrelaçava seus dedos ao cabelo dela e sorria. Ela parecia estar totalmente entregue a você, só conseguia te olhar, te beijar e sorrir pra você como se não existisse outra pessoa no mundo capaz de fazê-la sorrir e sentir o que estava sentindo. Aparentemente se sentia segura (como eu também me senti um dia) com você.
Caiu uma gota de cerveja no vestido dela, você pediu desculpas. Fitou o olhar ao dela e a deixou sem graça. Pediu uma porção de fritas ao garçom e sem permissão, a deixou que comesse nas suas mãos. Atendeu o celular no meio da noite, deixou a moça alguns minutos sozinha e voltou dizendo que foi um amigo. Você conversou sobre ela, disse que era linda, falou da cor dos olhos dela e no final da conversa, apertou o seu queixo, tocou na ponta do nariz e mais uma vez, elogiou. Na mesma noite, elogiou o vestido, a pulseira de bolinhas douradas, o cabelo, o canto dos olhos, o sinal no pescoço, os lábios, os beijos, e quando não restou lugar algum pra enfiar os seus elogios, você pediu mais um beijo, sem pensar duas vezes, claro, ela te beijou. Quando acabou o assunto, você perguntou quando vocês poderiam se ver de novo. Antes de se despedir disse que já estava com saudades e que mal esperava chegar o próximo final de semana. Era domingo e você desejou que ela dormisse bem. Chegou segunda-feira e você ligou pra dar bom dia, perguntou como as coisas estavam indo, cogitou se encontrar depois da aula, sugeriu um sorvete na terça, uma pizza depois do trabalho na quarta, um cinema na quinta, um passeio a noite na praia numa sexta. No sábado, convidou prum café, depois prum bar, pruma Temakeria. No domingo, você propôs um almoço, depois um filme em casa, depois uma boa transa, um banho de chuveiro a dois e um cochilo no final do dia. Por fim, prometeu ficar e mais uma vez não cumpriu. Tudo tão rápido, intenso e extremamente confuso, como você sempre foi.



Ela trocou a foto do perfil no Facebook, cê comentou com um coração. Se declarou com uma letra de uma música do Nando Reis, a levou pra conhecer sua família, apresentou pros seus amigos, foi ao shopping de mãos dadas, assistiu ao filme de comédia romântica que estava em cartaz, dividiu o refrigerante, ofereceu pipoca na boca dela. Falou em saudades, disse que queria sentir o cheiro do perfume, disse também que queria voltar a tocar a sua pele e que estava com saudades de sentir o cheiro de sabonete pela casa e vê-la enrolada em sua toalha. Disse que a casa estava fazia, a chamou pra dormir por lá, comprou um vinho pra acompanhar. Conversou sobre filmes, sobre comida, sobre música, banda, viagens e depois, partiu. Você era exatamente o mesmo quando te conheci. Juro que, por um momento, acreditei que dessa vez você levaria o amor a sério. Até que você resolveu continuar sendo o babaca que sempre foi. Evitou as conversas, deu milhares de desculpas pra não ir ao bar, ou tomar um café, ou comer um Sushi, ou dormir assistindo um filme, ou beijar no escuro do cinema, ou um banho de chuveiro a dois, ou sorrir como se não houvesse amanhã, ou ligar amanhã de manhã pra ao menos dizer: ''tô sumindo, se vira!''. Tudo bem se você não estava mais afim, mas não precisava criar tanta expectativa no outro, muito menos dizer que iria ficar quando já estava de saída. Sua vida sempre com o mesmo ciclo. Você sempre tão instável, sempre com os mesmos papos, com os mesmos gestos, com as velhas frases e uma lista que cresce a cada uma que se envolve e se engana por você. Cê troca de amor como se trocasse de cueca e promete a todas, um mundo que nem mesmo você conhece. Teu amor é inventado, tua saudade é idealizada, tua presença é por um triz, teu olhar é infeliz, teu prazer é só passagem, tua vida é uma viagem cujo o destino cê nem sabe, tua voz é a mesma, tuas promessas são incertas e você, não é tão seguro quanto parece ser.
Quando vi vocês, a vontade que tive era de perguntar qual o dia que você iria sumir e deixá-la sem respostas. Mas preferi ficar na minha, acompanhar o desfecho e torcer pra que, dessa vez, você fosse o iludido da história. Eu esperei, sinceramente, que ela não fosse só mais uma em tua lista. Agora, só desejo que ela não se perca a cada dia como eu me perdi. Que ela se encontre e se perceba, que sinta por ela todo o amor que sentiu por você, que de uma vez por todas, compreenda que você é só mais um moleque tentando aprender como ser um homem de verdade, e que talvez, nunca conseguirá ser. Que aceite que você não a merece e que apesar do que fizestes, que ela jamais deixe de acreditar no amor.

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